terça-feira, 26 de abril de 2011

Site Para Além do Racismo

Para Além do Racismo, o site da Iniciativa Comparativa de Relações Humanas (CHRI), uma colaboração singular entre pessoas e instituições no Brasil, na África do Sul e nos Estados Unidos com o objetivo de ensejar o intercâmbio de informações, idéias e estratégias para superar a discriminação e a desigualdade.

Este site oferece informação, recursos e links para quem quer aprender sobre por quê e como o racismo persiste. Os documentos do site identificam tendências nacionais e internacionais que afetam cada vez mais os esforços de ultrapassar o racismo e outros tipos de discriminação injusta nessas três nações e em todo o mundo.

Link: http://www.beyondracism.org/port_home.htm

CONVITE - Aula Inaugural do Curso de Extensão "Brasil e África em Sala de Aula" e organização do NEAB - IFRJ/CSG

Temos o prazer de convidar todos vocês para a Aula Inaugural do Curso de Extensão "Brasil e África em Sala de Aula", cuja quarta edição está sendo oferecida pelo IFRJ - Campus São Gonçalo. Será nesta próxima quarta-feira, dia 27 de abril, às 19h, no Auditório do campus.

Tema da Aula Inaugural: "Afroperspectivas e Educação"
Palestrante:
Dr. Renato Nogueira, Professor do Instituto Multidisciplinar da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).


Além da abertura do curso, o evento será a primeira atividade do nosso recém-organizado NEAB - Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros do IFRJ - campus São Gonçalo, sob a coordenação da profa. Janaína Oliveira.

Contamos com a presença e a divulgação de todos vocês.

Ricardo Cesar Costa
Professor de Sociologia do IFRJ - CSG
Coordenador do Curso de Extensão "Brasil e África em Sala de Aula"/ 4a edição

27 de Abril Dia Nacional das Trabalhadoras Domésticas

27 de Abril

Dia Nacional das Trabalhadoras Domésticas

Data é comemorada no dia 27 de abril. No Brasil, a profissão é exercida por 7,2 milhões de pessoas

Trabalho doméstico: desigualdades de gênero e raça

Segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do IBGE, em 2008, a categoria das trabalhadoras domésticas representava 15,8% do total da ocupação feminina, o que correspondia, em termos numéricos, a 7,2 milhões de pessoas. Entre as mulheres negras, 20,1% das ocupadas eram trabalhadoras domésticas. Dentre as mulheres brancas, amarelas e indígenas ocupadas, o trabalho doméstico correspondia a cerca de 12% do total da sua ocupação.

Embora agregue um número significativo de mulheres, o trabalho doméstico é marcado por condições precárias. Somente 26,8% da categoria têm carteira assinada. Entre aquelas que não têm carteira assinada, as mulheres negras eram a maioria (59,2%). Os baixos rendimentos também são uma característica desta ocupação: entre as trabalhadoras com carteira assinada, o rendimento médio mensal era de R$ 523,50, ao passo que entre aquelas sem carteira, esta média caia para R$ 303,00. As trabalhadoras negras, particularmente, recebiam, em média, apenas R$ 280,00.


Direitos a serem conquistados

O trabalho doméstico é uma atividade laboral essencial não apenas para o funcionamento dos lares (domicílios), como também para a sociedade e para as economias. Atualmente, a demanda pelo trabalho doméstico remunerado tem crescido em todas as partes do mundo. As características peculiares do trabalho doméstico e sua complexidade colocam grandes desafios do ponto de vista da ação pública e da organização de atores sociais para a superação das discriminações de gênero e raça e para a promoção de direitos.

Apesar do reconhecimento oficial como ocupação e dos direitos assegurados em lei, o trabalho doméstico é um trabalho desvalorizado e invisibilizado, pouco regulamentado e cujas características se afastam da noção de trabalho decente. É marcado pela informalidade, pouco cobertura da proteção social e baixa remuneração. As trabalhadoras domésticas sofrem com o desrespeito sistemático de seus direitos humanos e dos direitos fundamentais no trabalho. É uma ocupação na qual as discriminações de gênero e raça se entrelaçam e se fortalecem mutuamente. A desvalorização do trabalho dos cuidados, tradicionalmente realizado pelas mulheres, e a associação com atividades realizadas em regime de servidão e escravidão estão na base do não reconhecimento do trabalho doméstico como uma profissão como todas as outras.

Janete
Castanhal-Pará-Brasil

segunda-feira, 25 de abril de 2011

A Escola e a Violência

Escalado para Coachella e Rock In Rio, Emicida leva rap subversivo a festival na Lapa e, em entrevista, fala de infância pobre, bullying e batalhas de MCs

Publicada em 22/03/2011 às 10h11m - William Helal Filho

O rapper Emicida. Foto de Marcos Alves O rapper Emicida. Foto de Marcos Alves

Um rapper paulistano num festival de rock independente? Um mano de sotaque carregado em meio a guitarras na Lapa? É, mas não se trata de um cara qualquer. Leandro Roque de Oliveira, o Emicida, de 25 anos, é um dos maiores rappers brasileiros. E não apenas se apresenta no Grito Rock, quinta-feira, no Circo Voador, como está escalado para o Rock In Rio, em setembro, e para o Festival Coachella, um dos maiores eventos da música pop no mundo, em abril, na Califórnia.

Nesta entrevista, o mestre das rimas de improviso, famoso por esculachar rivais nas batalhas entre rappers (Emicida é mistura de "MC" com "homicida"), faz pouco caso das críticas que recebe via Twitter, fala sobre a parceria com a banda NX Zero e conta que foi vítima de bullying na escola, por ser negro e, na época, muito pobre.

- A professora ria quando me zoavam. Aquilo me enchia de ódio. Acho que a agressividade do meu jeito de cantar veio do bullying - diz o músico, que transformou em bordão o verso "A rua é nóis", do hit "Triunfo". - Ninguém faz rap sem ódio.

O GLOBO: Você cresceu numa favela da Zona Norte de São Paulo. Como foi o primeiro contato fora da comunidade?

EMICIDA: Eu tinha 6 anos quando meu pai morreu, e minha mãe virou faxineira. Saí da favela pela primeira vez nessa época, quando ela me levava para as casas nos bairros de rico. A primeira vez que vi um lápis de cor foi na casa de um arquiteto. E tive contato com livros também. Apartamento de rico é cheio de livros (risos).

E como você via os contrastes entre os bairros nobres e a sua comunidade?

EMICIDA: Eu brincava com as crianças ricas e voltava a para minha realidade. Morava numa casa de um cômodo com mais quatro pessoas. Aquilo me frustrava, mas transformei a frustração em vontade de crescer. Nessa época, o que me deixou mais revoltado foi a escola.

Por quê?

EMICIDA: Criança é um problema, cara. Os colegas me sacaneavam porque eu não tinha nem tênis, era sempre o mais pobre da sala. Pegavam no meu pé até porque meu pai tinha morrido. Durante um tempo, estudei num bairro de gente rica, perto da casa de uma patroa da minha mãe. Era o único negro da sala, e até a professora ria quando me zoavam. Aquilo me enchia de ódio, e virei um garoto violento, queria sair no braço com todo mundo. Num outro colégio, a barra era pesada. A polícia entrava na sala com cão farejador para revistar os alunos. Não tinha como estudar. Cheguei a sair da escola por meses e até pedi esmola na rua.

Isso tudo influenciou de algum jeito a sua música?

EMICIDA: Acho que a agressividade do meu jeito de cantar veio desse bullying contra mim. Aprendi que, se eu não me impuser, ninguém escuta. Quando você cresce com raiva, vira suicida ou terrorista. Sou um terrorista, mas da música. Ninguém faz rap sem ódio.

Quando a música entrou mesmo na sua vida?

EMICIDA: Eu andava com a galera do break e do grafite. Acordava às 7h para grafitar. Tinha 16 anos e era meio "vida loka". Mas o rap fazia parte desse universo, e comecei a frequentar as batalhas de MCs. Era só brincadeira de sacanear o outro. E eu me dava bem porque sempre tive facilidade para fazer rima.

Aí se vingava das vezes em que você foi sacaneado?

EMICIDA: Não sei, mas eu não perdoava ninguém. Nas batalhas, eu consegui me impor. Já fiz um cara chorar e até fui ameaçado de morte depois de esculachar demais um MC. Eu plantava um clima tenso. Perco o amigo mas não perco a rima. Não alivio nem cego. Em cima do palco, é tiroteio. Se você não sacar, o outro saca.

Mas agora você ficou famoso. Deu entrevista no "Altas horas", no "Programa do Jô", suas músicas tocam no rádio, vai cantar no Rock In Rio...

EMICIDA: Eu estourei, cara... (risos). Mas não largo as origens. Abracei a causa de dizer coisas relevantes. Eu canto sobre os esquecidos. Tem uma pá de gente invisível na rua. Eu vim dessa galera, estou aqui por causa deles. Meu exército é invisível.

No meio do rap nacional, dizem que entrar para o mainstream é traição. Você já foi chamado de traidor?

EMICIDA: Já. Principalmente pelo Twitter, porque a internet dá coragem para as pessoas. Mas esse povo aí não tem namorada e critica porque não tem o que fazer. Essa coisa de rapper não aparecer na TV surgiu com os Racionais MCs e funcionou bem para eles. Não preciso imitar.

Semana passada, o nome da música "Rua Augusta" foi parar nos trending topics do Twitter, quando o clipe estreou na MTV. Você se liga nessas coisas?

EMICIDA: Internet é ferramenta de trabalho, mas não dou tanta credibilidade para web. O trampo de verdade é na rua. Artista que só tem nome na internet e não representa na rua não vai a lugar nenhum.

As bases do seu som misturam vários ritmos. E você vai tocar no Grito do Rock. Já ouviu críticas de puristas do rap?

EMICIDA: Já fui a muitos festivais de rock pelo país. Coquetel Molotov, Calango, Jambolada... Quero derrubar essas barreiras ignorantes. Minha música tem influências de Lupicinio Rodrigues, jazz, samba, Nação Zumbi, Caetano Veloso... Para mim, tudo isso está conectado.

Gravar a música com o NX Zero ("Só rezo") foi ideia sua?

EMICIDA: Não. Foi um convite do produtor, o Rick Bonadio. Mas eu adoro NX Zero. Foi ótimo trabalhar com eles, e depois até apareceram umas adolescentes me seguindo no Twitter (risos). Já tinha quase gravado com a Cine também. Os caras dessa banda estão sempre nos shows de rap de São Paulo.

Você gosta de funk?

EMICIDA: Me amarro em Claudinho & Buchecha, Cidinho & Doca... Mas a vertente que mais faz sucesso, que só fala de sacanagem e crime, presta um desserviço. Ninguém quer ouvir o sistema dizer que funkeiro é bandido, mas aí vem vagabundo e canta que é isso mesmo. Esses caras podem ferrar uma geração inteira, cantando que ganhar salário é vergonha e enaltecendo promiscuidade. Outro dia fui à casa da minha mãe e vi minha prima de 14 anos com um filho. É uma bagunça.

Você tem uma filha de dois meses. Com tantos projetos e trabalhos, como você arruma tempo para a família?

EMICIDA: Outro dia tuitei que minha vida profissional anda assim como a minha vida pessoal desaba. Até porque eu me expresso muito melhor cantando do que conversando. Acho que a minha infância fez de mim um cara frio, principalmente num relacionamento. Espero que a minha filha me ajude a mudar isso, a ser um cara mais sensível. Tomara.

Extraído: http://oglobo.globo.com/megazine/mat/2011/03/21/escalado-para-coachella-rock-in-rio-emicida-leva-rap-subversivo-festival-na-lapa-em-entrevista-fala-de-infancia-pobre-bullying-batalhas-de-mcs-924054500.asp

Oportunidades desiguais - Animação

Unequal Opportunity Race- Link: http://www.youtube.com/watch?v=eBb5TgOXgNY&feature=player_embedded

Revista DIKAMBA - Lançamento.

Confiram em primeira mão a revista DIKAMBA, do CELACC (Centro de Estudos Latino-Americanos de Cultura e Comunicação), além de uma rica matéria sobre o Centro Cultural Orùnmilá de Ribeirão Preto, tem também outros temas da maior importância.
É só entrar no link abaixo e fazer o download :
http://www.megaupload.com/?d=O3NRKQAL

Edições Toró e CMSP convidam para curso de Artes Plásticas e Gráficas Africanas e Negro-Brasileiras

Edições Toró e Coordenadoria de Bibliotecas da Secretaria Municipal de Cultura de SP - SMC convidam para o curso “TEIAS DA EXPRESSÃO, CHAMAS DA REFLEXÃO: Artes Plásticas e Gráficas Africanas e Negro-Brasileiras”

Cinco encontros aos sábados, de 07/05 a 04/06/2011, sempre das 14 hs às 17hs30 na Biblioteca Municipal Paulo Duarte (Centro Cultural Jabaquara): Rua Arsênio Tavolieri, 45.

Inscrições e cartaz de chamada no sítio www.edicoestoro.net ou na Biblioteca Paulo Duarte até 03/05/2011.

Eis a programação do sexto curso organizado pela Edições Toró, com aulas teóricas, expositivas, oficinas, projeção de vídeos, fotografias e músicas, leituras dramáticas e mapas:


07/05: "Panos que Falam: Tecidos africanos, histórias e impressões coletivas”, com Luciane Ramos (Pesquisadora e Educadora da 'Casa das Áfricas', Professora da Facamp, Dançarina e Antropóloga)

14/05: "Corte, Encaixe e Colagem: Experimentações na arte afrobrasileira", com Marcelo D´Salete (Artista Plástico, Quadrinista, Ilustrador e Professor de Artes da Escola de Aplicação da USP)

21/05: "Conceitualismos e Afrodescendência: Questões da identidade nas linguagens plásticas", com Renata Felinto (Artista Plástica, Mestre em Artes pela Instituo de Artes da UNESP, Educadora do Instituto Sidarta)

28/05: "Tipograffite: Dos adinkras aos muros e páginas", com Mateus Subverso ( BBoy e Grafiteiro da Posse Suatitude, Engenheiro da Edições Toró, Atuante dos universos do Design Gráfico, Digital e Musical)

04/06: "Caminhos da Arte Contemporânea: Linhas expressivas do Benin", com Glaucea Helena (Artista Plástica, Educadora do Museu Afro Brasil e Professora de Artes da ETEC Parque da Juventude)


"TEIAS DA EXPRESSÃO, CHAMAS DA REFLEXÃO: Artes Plásticas e Gráficas Africanas e Negro-Brasileiras"

Pra desfrutar, questionar e escambear percepções da estética e da mocambagem de matriz afro, com suas intenções e eletricidades, carinhos e contextos.

Pra compreender alguns porquês das rodas de fortaleza e beber algumas outras surpresas.

Pra desenvolver pedagogingas com quem pesquisa, sua e pratica. Com quem vive a questão e traz fundamentos, reflexão e vontade de esparramar.

Pra, mesmo com novas dúvidas e suas coceiras, ganhar sustança. Não arriar nas humilhações e nos farelos de cada dia.

Pra não reproduzir facinho uns quebra-cabeças cheios de quebranto, tão brilhantes na vitrine, tão sorridentes no out-door e tão fuleiros na cartilha. Serão quebrantos perpétuos estes nas entrelinhas da (des)Educação?

Gratuito e na quebrada, sem dever pra qualidade de outros cursos nesse mesmo naipe, que cobram diamantes pra quem quiser chegar nas turmas que quando giram, geram quase sempre pelos bairros nobres (?) de São Paulo. (E pedregoso é ouvir que nós que inventamos as barreiras, quando o que queremos é esfarelá-las).

Gracias

PEDAGOGINGA - mais reflexão e menos marketing, mais fogueira e menos fogos de artifício

Allan da Rosa e Mateus Subverso/ Edições Toró

Articulação Pedagógica: Allan da Rosa
Concepção de Cartaz e Apostilas: Mateus Subverso
Realização: Edições Toró e Coordenadoria de Bibliotecas da Secretaria Municipal de Cultura de SP - SMC
Sábados de 07/05 a 04/06, sempre das 14hs às 17hs30 - Gratuito para 35 participantes com distribuição de certificados e apostilas ao final do curso

Na Biblioteca Paulo Duarte (Centro Cultural do Jabaquara): Rua Arsênio Tavolieri, 45 - Fone: 5011-7445

Inscrições no sítio www.edicoestoro.net ou na Biblioteca Paulo Duarte até 03/05/2011.

II Colóquio Internacional de Culturas Africanas

Griots 2011: II Colóquio Internacional de Culturas Africanas

A Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN e o Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem do Departamento de Letras realizarão no período de 25 a 27 de maio de 2011, na cidade de Natal-RN, o II Colóquio Internacional de Culturas Africanas – Griots, dando assim continuidade à iniciativa que em 2009 organizou o I Colóquio de Culturas Africanas: Linguagem, Memória e Imaginário.

Esse evento oportuniza diálogos importantes entre professores, pesquisadores, discentes e escritores interessados em discutir questões envolvendo África, A segunda edição do Colóquio “Griots” traz novos desafios não apenas envolvendo questões voltadas à literatura africana, mas visa ampliar debates sobre a importância das mídias em torno da luta contra todo tipo de violência, preconceito e racismo.

O racismo evidencia as consequências da opressão exercida por uma cultura dominante, que atinge as comunidades afro-descendentes, atinge a cultura, mas também a política e o ser psíquico. Nesse sentido, o Griots 2011 analisa a violência excedente em um mundo que subverte e altera tanto as coletividades quanto os sujeitos em seu devir pessoal.

Ao abrigar um evento dessa natureza, estamos falando sobre a desigualdade e a redução do sujeito em objeto, da substituição do ser pelo ter, estamos falando sobre o apagamento de línguas marginalizadas, estamos falando sobre as conseqüências da modernidade em um mundo desprovido de seu maior luxo: as relações humanas.

Se é pela cultura que se dá a criação das fagulhas do imaginário racista, é pelo discurso que ele se estabelece no meio de nós. Nos sistemas capitalistas, entre o explorado e o poder, interpõe-se uma multidão de discursos sobre a moral humana. Quadros e giz a postos nos muros das escolas públicas e particulares. Muro convite. Muitas vezes discriminação e preconceito também começam dentro da sala de aula: silêncio. Cale-se. Eu sou a voz, você apenas o ouvido, você é o meu não; eu sou o seu sim. E ponto final na lição. Na hora da prova: d’escola a cola que não descola.

Em meio a tudo isso, quem faz uso da escopeta, das balas perdidas, dos meninos “aviõezinhos”? Onde se esconde a violência que se estatela dos guetos aos semáforos? Por quais luxos batem em rostos plugados no mundo virtual? Por quais terras invadem a noite dos travestis naufragando a igualdade? Nos espaços para abreviar grafites, novos poemas se picham: “No mundo, não há vencedor, não há perdedor, há vidas vazias, vidas intensas de poesia”.

Como devemos abrir a porta da poesia para novos canais humanos? Acaso o trinco da porta largou o poema no último verso da escadaria do morro onde não há poesia mais linda do que o silêncio? Nosso modelo de civilização é um fabulário, em meio ao tecnicismo, demarcando a “vaziez” de indivíduos que conhecem de cor e salteado o mundo da tela de um blog, no entanto são desconhecedores do abismo da alma humana. Não conseguimos mais nos conhecer, só conseguimos reconhecer nossa imagem irrefletida num solilóquio sonhador. O narcísico, que não deixa de olhar o lago. A imagem da imagem reflete várias imagens em um só espelho. Como diz Mia Couto [2008]: “Cura-me de sonhar, doutor”.

Conhecemos uma sobrecarga de informações, contudo não conhecemos o que há de nós em nós mesmos. A fome faz conhecer a Terra; a sede o mar. O grande desafio desse século é o de todos os séculos: “Conhece-te a ti mesmo”? Atualmente vivemos os reflexos da caverna de Platão, adoecemos das sombras de imagens que jamais tocaremos a valer. Adoecemos de conhecimento, adoecemos por não sabermos viver mais o desconhecido. Adoecemos da falta de encantamento. Adoecemos da escassez de alumbramentos, do que nunca saberemos revelar. Adoecemos da falta de doação humanitária. Adoecemos dos ideais humanizadores. E por não nos sabermos conhecedores de nossa alma, violentamo-nos uns aos outros como se fôssemos bichos primatas, bestializados.

Hannah Arendt [2009], no livro Sobre a violência, diz que temos um excedente de violência na atualidade porque temos um excesso de burocracia no mundo. Vivemos amarrados a um sistema burocrático que nos aprisiona a todos de uma falsa liberdade. Tudo existe em nome da burocracia. Segundo Arendt, não sabemos mais nos dias de hoje como destronar esse tirano.

Nessa perspectiva, o evento Griots analisa a linguagem que nos intoxica pelo discurso da violência, do preconceito, do racismo, pois como salienta Inocência Mata: “os discursos oficiais são sonhos ritualizados, expressões, estereótipos criminosos com que se pretendiam esconder a realidade e erguer respeitáveis fachadas [das figuras públicas] e terríveis máquinas de guerra, que num espaço de um só dia se desmoronou”. Em verdade, somos sujeitos de nossa história, quando somos atores de nossa história política. “Oh, meu corpo, faça sempre em mim um homem que interroga.” [Frantz Fanon]. E quando eu não interrogar, vigiai-me para não esquecer o furo da canoazinha na maré das sereias-respostas.

Link: http://www.ufrn.br/ufrn2/coloquioafricano/

Griots 2011 - ATENÇÃO: Inscrições com apresentação até 30.04.2011

CURSO DE NEGÓCIOS CULTURAIS SUSTENTÁVEIS - Instituto Feira Preta

CURSO DE NEGÓCIOS CULTURAIS SUSTENTÁVEIS



O Instituto Feira Preta em parceria com a Agência de Cooperação Internacional AECID, Embaixada da Espanha e Centro Cultural da Espanha em São Paulo, promovem no mês de maio o Programa de formação coordenado pelo consultor Leonardo Brant, especialista em desenvolvimento de negócios para o setor cultural. Dividido em módulos, o curso aborda diferentes dimensões de um empreendimento, da estratégia ao financiamento, passando por gestão e comunicação. Além de exposição teórica, adaptando os grandes conceitos empresariais à realidade cultural, o consultor aplica sua experiência de 15 anos à frente da Brant Associados, atendendo grandes empresas patrocinadoras, instituições culturais e empresas culturais, com dinâmicas e metodologias avançadas de construção colaborativa de c onhecimento.



Programação:



· AULA 1 - ESTRATÉGIA: conceito, sentido e plano estratégico (10 de maio)



· AULA 2 - COMUNICAÇÃO: posicionamento, articulação e redes (17 de maio)



· AULA 3 - GESTÃO: ferramentas de gestão aplicadas à cultura (24 de maio)



· AULA 4 - FINANCIAMENTO: fontes e captação de recursos (31 de maio)



Sobre Leonardo Brant



Pesquisador independente de políticas culturais, autor dos livros O Poder da Cultura, Diversidade Cultural, Políticas Culturais, vol.1 e Mercado Cultural. É editor do site Cultura e Mercado, o mais influente do setor cultural no Brasil. É também diretor do documentário Ctrl-V | VideoControl, vídeo-pesquisa sobre as relações de poder da indústria audiovisual hegemônica, seus efeitos sobre as culturas locais e o fenômeno da convergência.

SERVIÇO:

DATAS: 10/17/24/31 DE MAIO

HORÁRIO: DAS 19H ÀS 21H

LOCAL: CASA DA PRETA: RUA INÁCIO PEREIRA DA ROCHA, 293 - VILA MADALENA

CURSO: GRATUÍTO

* Apenas serão disponibilizadas 15 vagas para a capacitação

INSCRIÇÕES
As inscrições poderão ser realizadas até o dia 30 de abril. Os interessados deverão enviar um email para adriana@feirapreta.com.br, anexando seu cur rículo e a ficha de inscrição.

REALIZAÇÃO: INSTITUTO FEIRA PRETA I BRANT ASSOCIADOS

PARCERIA: AECID I EMBAIXADA DA ESPANHA I CENTRO CULTURAL DA ESPANHA EM SÃO PAULO

INSTITUTO FEIRA PRETA |ADRIANA BARBOSA |CASA DA PRETA: Rua Inácio Pereira da Rocha, 293 - Vila Madalena
| +55 11 3031-2374 - 2537-6286 | 7734-4175 - 8336-1012
www.feirapreta.com.br
SKYPE: FEIRAPRETA1

I Colóquio Internacional sobre Texto e Discurso - Faculdade de Ciências e Letras da UNESP

I CITeD - I COLÓQUIO INTERNACIONAL DE TEXTO E DISCURSO
16 a 20 de maio de 2011
APRESENTAÇÃO
A realização do I CITeD se justifica pela premência de se pensar as causas das dificuldades encontradas por alunos do ensino fundamental, médio e superior em processar com eficiência as diferentes leituras a que são expostos no dia-a-dia escolar e social. Se o cidadão não consegue compreender o que está contido em um determinado texto e/ou discurso, bem como não consegue perceber os fatores internos e externos à linguagem que permitiram sua construção, demonstrará também dificuldades em estabelecer relações entre o conteúdo daquele com o de outros tantos textos que fazem parte do seu cotidiano, e que lhe chegam por meio de variados gêneros e veículos, a exemplo de: literatura, música, cinema, jornal, revista, TV, legislações, enfim, as artes, as mídias e as leis, em geral, fundamentais para o equilíbrio social de toda e qualquer nação.
Por meio de variadas abordagens teórico-metodológicas voltadas para o processamento dos diferentes textos e/ou discursos com os quais nos deparamos e dos quais dependemos para melhor conduzir nossa vida em sociedade, a Linguística se fará presente nas reflexões que permearão os trabalhos desenvolvidos durante a semana de 16 a 20 de maio de 2011, no interior do I CITeD, conforme programação do evento.

COMPOSIÇÃO DO EVENTO
1) Curso de Extensão Universitária “INTRODUÇÃO À ANÁLISE DO DISCURSO”, ministrado pelo Prof. Dominique Maingueneau (EM PORTUGUÊS), no período da tarde dos dias 16 a 20 de maio de 2011, no total de 16 horas/aula;
2) Duas Mesas Redondas, no período da noite dos dias 18 e 19 de maio de 2011, com a presença dos seguintes professores convidados: Dominique Maingueneau; Beth Brait; Helena Nagamini Brandão; Patrick Dahlet; Manoel Luiz Gonçalves Correa e Diana Luz Pessoa de Barros;
3) Simpósios que contemplarão sete linhas de pesquisa sobre estudos do texto e/ou discurso, nas manhãs dos dias 17, 18 e 19 de maio de 2011;
4) Lançamento de livros na noite de 17 de maio de 2011.

OBJETIVOS
1) o fortalecimento das reflexões dos participantes, sendo professores, alunos e/ou pesquisadores, no que concerne às diferentes linhas de estudo e pesquisa sobre texto e discurso;
2) a complementação dos conhecimentos adquiridos por meio de disciplinas que compõem o currículo de graduação em Letras, bem como o rol de disciplinas oferecidas pelo Programa de Pós-Graduação em Letras, da Faculdade de Ciências e Letras de Assis;
3) o intercâmbio de ideias, uma vez que se oferecerá uma diversidade de caminhos teórico-metodológicos durante toda a programação do evento;
4) o fortalecimento do Programa de Internacionalização da UNESP, em geral, e do Campus de Assis, em particular.

LOCAL DE REALIZAÇÃO
Faculdade de Ciências e Letras - UNESP/Assis
Avenida Dom Antonio, 2100
19806-900 Assis - SP
Fone:(18) 3302-5800

Link:http://www.fundepe.com/novo/cited/index.php

III Colóquio Mulheres em Letras / I Encontro Nacional Mulheres em Letras - UFMG

O Grupo de Pesquisa Letras de Minas e o Núcleo de Estudos Interdisciplinares da Alteridade – NEIA – comunicam a realização do III Colóquio Mulheres em Letras/I Encontro Nacional Mulheres em Letras, que acontecerá na FALE, em Belo Horizonte, nos dias 5, 6 e 7 de maio de 2011, com o tema “Escritoras de ontem e de hoje”. Dentre os objetivos do evento, pretende-se promover a reunião de especialistas nos estudos de gênero e revisitar a produção poética e ficcional de autoria feminina.

Na ocasião, serão homenageadas as escritoras Dinah Silveira de Queiroz, Elisa Lispector e Elizabeth Bishop, pelo centenário de seus nascimentos, e Teresa Margarida da Silva Orta, pelo tricentenário de nascimento. Como ocorreu nas versões anteriores do Colóquio, foram convidadas escritoras para apresentarem seus depoimentos sobre o fazer literário. Já confirmaram presença: Lya Luft, Carola Saavedra, Cristiane Sobral, Ruth Silviano Brandão, Leda Maria Martins, Lúcia Castello Branco e Vera Casa Nova.

Link:http://www.wix.com/mulheresemletras/coloquio

quinta-feira, 21 de abril de 2011

[Forum_Sankofa_2010] Fwd: Enc: Ó Quão Dessemelhante

Cidade Mais Negra do Brasil. "Ó Quão Dessemelhante..."!
Enviado por Alarcon, qui, 10/03/2011 - 20:41
Autor:
Guilherme de Alarcon Pereira
Minha cidade, orgulhosamente a maior cidade negra do mundo fora do continente africano, paradoxalmente transformou-se na maior vergonha do Brasil como a cidade mais racista do país.

Sinto morto o velho "orgulho de ser baiano". Pois sendo "galego" (apesar de nenhuma ascendência da Galícia) não sei ser nem me sentir outra coisa senão baiano brasileiro. Não posso olhar meu mar sem enxergar Angola na outra margem e dentro de mim. Da minha ascendência européia pouco cuido e menos sinto. O que sinto é o que sou e o que sou vem da mistura de minha gente, com o perdão da imodéstia, mistura única no mundo.

Ou encaramos a verdade de frente, ou vamos continuar alimentando a hipocrisia que alimenta a chaga aberta no coração da Bahia que o Brasil não conhece e a própria Bahia finge que não vê. Numa Bahia cada vez mais dividida onde até o Recôncavo, berço de tudo o que somos, foi exilado de Salvador.

A maioria das grandes avenidas de Salvador - as que não se chamam Magalhães - têm nomes de grandes engenheiros, médicos, juristas todos negros ou mulatos baianos das décadas de 10 a 70.

Hoje não é possível contar nos dedos de uma única mão o número de negros tão destacados ou reverenciados assim, em áreas fora da música e, mesmo na música, os protagonistas sempre são reduzidos a coadjuvantes.

Numa conversa inesquecível enquanto passeava com o amado Profº Cid Teixeira, aos 90 anos à época, maior historiador da Bahia, ele me abriu os olhos: "filho, a mecânica mercantilizada sem controle do carnaval empurrou o negro para o tambor e ele foi e, hoje, só lhe resta o tambor, nem mesmo o carnaval lhe permite protagonismo algum...". Sábias palavras de quem conhece a fundo a história do ontem, do hoje, do amanhã e do sempre da minha terra.

Será que ninguém se espanta no país inteiro com o fato de que na própria música ligada ao carnaval, anímicamente nascida e nutrida pelo nosso ventre negro, todas as musas (e musos) - sem nenhum demérito ao talento das nossas grandes artistas "morenas e galegas" - todas as musas são brancas, todas as musas da cidade 70% negra?

O sagrado Candomblé da Bahia, a fé mais bonita que conheço, e o elemento essencial de resistência, afirmação, independência e consistência cultural não só da raça negra mas de toda a raça baiana, brasileira, que é nossa humanidade, o Candomblé da Bahia vem sendo estuprado e maculado todos os dias.

A Bahia já foi diferente e destruída no seu mais belo por alguns, dentre outros, fatores essenciais:

I) A desqualificação da escola pública que criou contingentes escolares bem definidos entre escolas "européias" e "africanas";

II) A mercantilização perversa do carnaval que já iniciou sua transformação em mercado (um mercado importante mas totalmente equivocado na modelagem das suas bases econômicas e normatização por parte do Poder Público) como apartheid com as velhas fichas de cadastro com foto dos grandes blocos que priorizavam as fotos "mais claras" e precisou ser derrubada a tapa pela lei e o esforço do vereador Javier Alfaya, mas cujos "princípios" recrudescem na "paulistização" maníaca dos grandes blocos (por favor, os paulistas estão usados aqui didaticamente representando os turistas do carnaval, mas não têm culpa nenhuma nessa história!), sem falar na marginalização e "expulsão" dos blocos afro do circuito do dinheiro e da vergonha no confisco do espaço público segregado por cordas, mais uma vez paradoxalmente, carregadas pelos próprios explorados apartados;

III) Pelo preconceito religioso que já existia mas ganhou um impulso hecatômbico, virulento, odioso e brutal, no início principalmente, da maré evangélica;

IV) Pela imbecilidade generalizada que se recusa a rediscutir o carnaval e os outros temas, sendo o carnaval o mais factível de ser resolvido sem maiores prejuízos e satisfatoriamente no curto prazo potencializando, como sinalizador, outras evoluções pela gigantesca força simbólica e prática que o Carnaval tem por estas plagas para além do próprio Carnaval e do período momesco;

V) Pela seletividade (esse já um mal nacional) conveniente no cumprimento das leis, leis como a Afonso Arinos. E a urgência da necessidade de passar e fazer cumprir as formas legais mais rígidas possíveis tanto contra ação e não menos contra o discurso "fóbico" de qualquer fobia seja homofobia, racismo, de gênero ou outra qualquer.

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Triste Bahia

Triste Bahia! Ó quão dessemelhante / Estás e estou do nosso antigo estado! /// Pobre te vejo a ti, tu a mi empenhado, / Rica te vi eu já, tu a mi abundante. /// A ti trocou-te a máquina mercante, / Que em tua larga barra tem entrado, / A mim foi-me trocando, e tem trocado, / Tanto negócio e tanto negociante. ///Deste em dar tanto açúcar excelente / Pelas drogas inúteis, que abelhuda / Simples aceitas do sagaz Brichote. / Oh se quisera Deus que de repente / Um dia amanheceras tão sisuda / Que fora de algodão o teu capote! - Gregório de Mattos e Guerra (Bahia, Século XVII)

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É nossa obrigação imperativa reverter esse quadro. Para que, como na voz vigorosa de Magá (minha rainha Margareth Menezes), possamos trocar o desabafo pela celebração da raça, raça humana, raça brasileira.

E para além de tão somente celebrarmos "a alegria da cidade".

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ALEGRIA DA CIDADE ♫ Lazzo Matumbi

A minha pele de ébano é... ♫ A minha alma nua ♪♪ Espalhando a luz do sol ♫ Espelhando a luz da lua ♪♪♪♪ Tem a plumagem da noite ♫ E a liberdade da rua ♪♪ Minha pele é linguagem ♫ E a leitura é toda sua ♪♪ Será que você não viu ♫ Não entendeu o meu toque ♪♪ No coração da América ♫ eu sou o jazz, sou o rock ♪♪♪♪ Eu sou parte de você, ♫mesmo que você me negue ♪♪ Na beleza do afoxé, ♫ ou no balanço no reggae ♪♪ Eu sou o sol da Jamaica ♫ Sou a cor da Bahia ♪♪ Soul, sou você ♫ e você não sabia ♪♪♪♪ Liberdade Curuzu, ♫ Harlem, ♫ Palmares, ♫ Soweto ♪♪ Nosso céu ♫ é todo blue ♫ e o mundo ♫ é um grande gueto ♪♪♪♪ Apesar de tanto não ♫ Tanta dor que nos invade, ♪♪somos nós ♫ a alegria da cidade ♪♪♪♪ Apesar de tanto não ♫ Tanta marginalidade, ♪♪ S o m o s N ó s a A l e g r i a d a C i d a d e

Mas enquanto as algemas não se fizerem brilhar, nosso brilho como povo continuará esmaecendo.

Hoje é quinta-feira e, portanto, dia de ser a favor das cotas raciais. Na sexta estarei contra. No fim-de-semana tentarei espairecer um pouco e não pensar nisso. Na segunda lutarei a favor. Na terça discursarei contra e assim por diante.

Foi meu grande amigo Jorge X quem me colocou nessa situação pendular única na minha vida em que não consigo consolidar uma opinião sobre um tema e que nem Martin Luther King Jr em pessoa conseguiria apaziguar meu pobre espírito em convulsões.

Ele assina, desde que o conheci até hoje, Jorge X. Em homenagem ao brilhante e guerreiro Malcolm. Dá para imaginar como ele é pouco veemente na defesa de suas idéias.

O conheci quando ele começou a trabalhar na nossa empresa, semianalfabeto, como mensageiro. Aprendi muito mais com ele, e continuo aprendendo, do que com a imensa maioria dos doutores que conheço. Hoje, inclusive, menos de oitos anos depois, ele é um deles. Ou, melhor, minto, não é um deles, é apenas Doutor.

Apesar de não poder ter a honra de me incluir entre eles, sempre tive uma profunda propensão por admirar a rebeldia e as grandes gentes que se dispõem a enfrentar nosso pequeno mundo. Desde que rebeldia não seja sinônimo de burrice. E normalmente não é.

Normalmente é tão somente sinônimo de radicalismo etimológico.

Digo etimológico porque da raiz da palavra, neste caso, exatamente, especificamente de “raiz”.

Gente que não se conforma mais em ver tanta gente tão somente preocupada em podar árvores, capinar jardins, aplainar cascas.

Gente que sabe e insiste que é preciso cuidar das raízes.

Que é preciso cavar e cavucar fundo a terra para entender, conhecer, ver com os próprios olhos o que está acontecendo e curar ramificações afluentes e coifas, adubar onde preciso, revolver o anima humus e de lá do buraco escuro do fundo do mundo iluminar o fluxo de energias que vai fazer a beleza dos cimos visíveis da vida aparente florescer de verdade, em verdade dar frutos, verdadeiramente florir no melhor possível da energia vital plena de cada coisa, de cada todo, de todos e de cada um.

E Jorge X era um radical bruto. Jorge X, hoje, é um radical lapidado.

Valendo lembrar que todo diamante verdadeiro em nada deixa de ser diamante, em nada se dilapida quando se lapida.

Ao contrário, se torna brilhante. E mais vívido. Capaz de refletir mais. E refletir outras e mais luzes. Luminoso. E belo. Consistente. E valioso. Duradouro. E cortante.

Certa feita, logo no início da discussão sobre cotas, Jorge X me disse algo que eu nunca mais vou esquecer e que tento reproduzir aproximadamente a seguir:

“Gui. Por mais que você seja um baiano negão galego assumido, você não sente na pele a coisa mais feia que existe que é ser chibatado pelo canto de um olho. Não é mais dolorido mas é pior que a agressão frontal porque mantém o problema sorrateiro, disfarçado, sem solução. Talvez a coisa que eu mais queira das cotas, mais ainda do que as próprias cotas, é ver as pessoas terem que mostrar seu olhar. Você é contra as cotas e diz frontalmente e aguerridamente o por que. A gente vai seguir se estapeando vida afora. Mas vai ser briga de gente grande, à moda antiga, daquelas em que quando um cai no chão, em vez do chute que inaugura o linchamento, o outro grita: 'levanta pra apanhar mais, pra apanhar feito ôme!' Mas, finalmente, eu vou poder conhecer os porta-vozes da desfaçatez, que vão ter que defender publicamente sua hipocrisia ou, na pior das hipóteses, que não é tão pior assim, sairão derrotados e terão que nos dar as cotas... e não mais as costas...”

A idéia central que as pessoas precisam começar a entender é que ninguém está pedindo favor nem pedindo para ser aceito.

Isso é, deve ser, a norma natural.

O resto é que anormalidade, aberração, a não aceitação do outro seja como for, homossexual, heterossexual, assexuado, negro, branco, roxo com bolinhas verdes, pessoas com uma perna menor que a outra, mais fina que outra, um cromossomo diferente (me recuso a usar a palavra deficiente por que isso todos somos de algum jeito), com mau hálito, verruga, tique nervoso etc.

Não é favor.

Favor fazemos todos em tolerar com nossa santa paciência esses discursos.

Acho que o texto de Sarte (mais forte ainda quando narrado por Abujamra) diz muito:

"O que vocês esperavam que acontecesse quando tiraram a mordaça que tapava essas bocas negras? Esperavam que elas lhes lançassem louvores? E essas cabeças que seus avós e seus pais haviam dobrado à força até o chão? O que esperavam? Que se reerguessem com adoração nos olhos? Ei-los em pé. Homens que nos olham. Ei-los em pé. Faço votos para que vocês sintam como eu a comoção de ser visto. Hoje, esses homens pretos nos miram e nosso olhar reentra em nossos olhos. Tochas negras iluminam o mundo e nossas cabeças brancas não passam de pequenas luminárias balançadas pelo vento." - JEAN-PAUL SARTRE (1905-1980)

E para mim basta isso.

Uma humanidade inteira de pé.

E menos que isso não serve.

Historicamente o povo misturado brasileiro foi convencido para si mesmo de ser sub-raça, inferior, segunda classe. Um padrão de raciocínio diabólico que contamina a todos. Cito aqui, enquanto espancamos Monteiro Lobato, um exemplo do poder dessa subautomistificação nas palavras de um brasileiro Gigante e um Gigante do abolicionismo, da diplomacia e da política, que ainda assim não livrou-se incólume da contaminação e chegou a desejar “aprimorar por vias 'caucasianas'” sua própria raça superior e, sem saber, mostrou desdém por outra raça ainda. Ele não é em nada menor por isso. Mas que sirva de exemplo do poder da praga que ainda hoje nos viola:
“...atraída pela franqueza de nossas instituições e pela liberdade de nosso regime, a imigração européia traga, sem cessar, para os trópicos uma corrente de sangue caucásico vivaz, enérgico e sadio, que possamos absorver sem perigo, em vez dessa onda chinesa, com que a grande propriedade aspira a viciar e corromper ainda mais a nossa raça” - JOAQUIM NABUCO (O Abolicionismo. 5. ed., Petrópolis, Vozes, 1988, p. 170).

Durante mais de meio século de subserviência a este raciocínio, foi em parte o futebol e o carnaval que ajudaram a segurar um mínimo de autoestima nacional até que esta pudesse ser nutrida e, finalmente emergir (SOMENTE AGORA, E OLHE LÁ) e pudesse emergir para um patamar de autoestima mais elaborado e consistente que ainda estamos começando a experimentar.

Do site:http://www.advivo.com.br/blog/alarcon/cidade-mais-negra-do-brasil-o-quao-dessemelhante

Cuidados com a pele negra

Mulheres com a pele negra são privilegiadas, porém, existem alguns mitos, muita gente pensa que a pele negra não sofre com as ações dos raios solares, mas isso não é verdade, apesar da pele negra possuir uma maior quantidade de melanina, que é um protetor solar natural, ela também sofre os efeitos da exposição aos raios solares, em menor escala, mas sofre.

A pele negra também tem um grande nível de colágeno, o que garante mais elasticidade a pele, diminuindo o aparecimento de celulite. Apesar de parecer que não, a pele negra necessita de cuidados diários assim como a pele branca.

Mulheres que têm a pele negra devem fazer diariamente, uma limpeza profunda, pela manhã, utilizando um sabonete adequado ao seu tipo de pele. O uso de cremes adstringentes é recomendado mas é preciso ter cuidado com ele, pois ele possui alto nível de pigmentação e pode deixar a pele manchada. Protetor solar é necessário para evitar a oleosidade da pele, recomenda-se os protetores em gel. Repita o procedimento de limpeza antes de dormir, mas desta vez passando um hidratante que contenha em sua fórmula hidroxiados e vitamina C.

Para manter a pele bonita e hidratada faça o uso de uma loção hidratante no corpo todo, os cremes recomendados são os de amêndoa ou macadamia, aplique no corpo todo, não se esquecendo das áreas mais secas, como os cotovelos, joelhos e os pés.

A pele negra é sem dúvida muito privilegiada mas não é por isso que vamos relaxar né? O ideal é ter esses cuidados básicos para sempre ter uma pele linda.

Thaís Velloso

Fonte: http://www.muitochique.com/

Programa de Pós-Graduação em Relações Etnicorraciais NEAB-CEFET/RJ

Coordenadores: Prof. Dr. Roberto Carlos da Silva Borges

Prof. Dr. Carlos Henrique dos Santos Martins

APRESENTAÇÃO

A Educação pautada nas Relações Etnicorraciais tem por proposta a divulgação, o aprofundamento e a produção de conhecimentos que ampliem a formação de cidadãos no que diz respeito à problematização da realidade social baseada na pluralidade etnicorracial, possibilitndo-lhes a capacidade de interagir e de negociar objetivos comuns que garantam, a todos, respeito aos direitos legais e valorização de identidade e alteridade, propondo-se a trabalhar com questões ligadas aos afro-descendentes, nos seus mais amplos aspectos.

O programa, então, tem como desafio a mudança de cognição social sobre abordagens discursivas e institucionais que serviram de base para o silenciamento e a naturalização de práticas preconceituosas e discriminatórias construídas histórica e socialmente.

OBJETIVOS DO PROGRAMA

1.Promover estudos e pesquisas que acompanhem e registrem a formação histórica da consciência política, da construção de identidades culturais e do estabelecimento e afirmação da garantia dos direitos civis dos variados elementos afro-descendentes que pluralizam a nação brasileira;
2.Incentivar a criação de ambientes de reflexão e debates sobre os programas de ações afirmativas - políticas públicas e movimentos sociais - e sua implantação, especialmente no ambiente acadêmico/escolar;
3.Oferecer ao discente formação multidisciplinar atualizada e articulada com o conhecimento produzido pelas linhas e projetos de pesquisa;
4.Promover a formação qualificada do discente como pesquisador, através da efetiva integração do mesmo nas atividades investigativas, desenvolvidas pelas propostas do programa;
5.Capacitar o discente para o exercício do pensamento teórico-reflexivo a respeito das questões etnicorraciais, habilitando-o ao debate e à intervenção em quaisquer níveis das áreas da Cultura, Política e Educação.
ÁREA DE CONCENTRAÇÃO: RELAÇÕES ETNICORRACIAIS

A Área de Concentração única abarca três linhas de pesquisa, singulares e convergentes, sob a perspectiva multidisciplinar, e configura-se a partir da efetividade dos projetos de pesquisa em curso. As três linhas que compõem a Área de Concentração visam à exploração não só de construções identitárias etnicorraciais, mas também de tensões e reconfigurações advindas do que se produz/produziu a partir do ser negro, seja ele ator, autor ou personagem do que se constrói. Pretende, assim, abranger questões concernentes ao conhecimento, sua aquisição e sua reprodução em políticas públicas e práticas formativas referentes às relações etnicorraciais no Brasil.

LINHAS DE PESQUISA

MÍDIA E REPERTÓRIOS CULTURAIS NA CONSTRUÇÃO DE IDENTIDADES ETNICORRACIAIS

A linha reúne reflexões sobre estética, cultura, política e as relações de poder que se constituem através dos meios e mediações sociais. Pretende explorar, no espaço de construção simbólica em que se constituem as mídias, as construções identitárias etnicorraciais e as práticas cotidianas dessas relações, os embates advindos dela, as consequentes ações políticas ou a ausência das mesmas.

CAMPO ARTÍSTICO E CONSTRUÇÃO DE ETNICIDADES

Esta linha reúne investigações de representações de África e da diáspora africana no Brasil e pretende se aprofundar no pensamento acadêmico-investigativo sobre afro-brasileiros e relações etnicorraciais, com foco nas populações afro-brasileiras e ainda nas relações/influências culturais, sociais, históricas e políticas entre África e Brasil. Com essa proposta, esta linha abrange questões essenciais para a compreensão dos sujeitos que se organizam em múltiplos grupos que configuram a nossa sociedade, como o são a Linguagem e a Cultura, em suas mais variadas manifestações no plano simbólico, especialmente no campo artístico.

PENSAMENTO E POLÍTICAS PÚBLICAS: DIMENSÕES INSTITUCIONAIS DAS RELAÇÕES ETNICORRACIAIS

Tendo como base epistemológica o saber constituído na área das Ciências Humanas, esta linha tem como fim investigativo questões concernentes ao conhecimento, sua aquisição e sua reprodução em Políticas Públicas e práticas formativas referentes às relações etnicorraciais no Brasil. A partir dos conhecimentos produzidos em diversas áreas de conhecimento, pretende-se uma formulação multidisciplinar acerca da Cidadania, Modernidade, Ciência, Política, Estado, Colonialismo, Pós-Colonialidade, Gênero, Classe e Educação, no que dizem respeito às relações etnicorraciais no Brasil.

Caracterização do PPRER

Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros - NEAB-CEFET/RJ: neab@cefet-rj.br This e-mail address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it

Tatiane Souza
Congadeira e Pedagoga
Coletivo de Vivências e Estudos Africanos - MALICK
APC - Associação Protetora do Congado
Conselho Afro-Brasileiro de S. J. Rio Preto
NEAB - linha de pesquisa: Educação e Relações Étnicorraciais
Mestranda - Programa de Pós-Graduação em Educação - UFSCar

Evento I Semana Paulo Freire- UERJ

I Semana Paulo Freire CAPF / UERJ
A “I Semana Paulo Freire: Educação em Perspectiva, idealizada pelo Centro Acadêmico Paulo Freire – CAPF-UERJ, pretende inaugurar uma experiência estudantil na Pedagogia, de organização de eventos que pensem a educação e o papel do educador (estudante/professor) a partir do compromisso político social de transformação da realidade injusta em que vivemos e construir na Faculdade de Educação um ambiente de formação superior associado ao engajamento e a participação coletiva do graduando nos espaços do público, nos movimentos sociais e populares.

O evento, a ser realizado no período de 02 a 06 de maio, contará com oficinas, filmes e mesas de dabate. O mesmo tem a presença confirmada do Professor José Pacheco, da Escola da Ponte.

As inscrições serão realizadas através do e-mail: capfsemanapaulofreire@yahoo.com.br
VALE LEMBRAR: O EVENTO É TOTALMENTE GRATUITO!!
O evento emitirá certificado, a partir de 50% de participação das MESAS.
---------- Mensagem encaminhada ----------
De: karen de fátima maciel
Data: 20 de abril de 2011 11:13


Repassando para quem tiver interesse, acho que é muito interessante.
Segue a programação das mesas.
Inscrições´pelo site: http://semanapaulofreire.blog.com/programacao

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PROGRAMAÇÃO- MESAS
DIA 2/5
Abertura

LOCAL:Capela Ecumênica

HORÁRIO: 9 h

MESA: Darcy Ribeiro e Paulo Freire: A Educação como ação Transformadora
Prof.ª Tania Maria de Castro Carvalho Netto (Paulo Freire)
Prof. Aurelio(Darcy Ribeiro)
Prof.ª Leila Menezes(CIEP)
Mediador: Marcelo Rollo - CAPF

MESA:A Defesa da Educação Pública em tempos de políticas neoliberais
LOCAL:Auditório 71
HORÁRIO:19H
Prof. Gaudêncio Frigotto(A doutrina neoliberal na educação)
Profª. Cleier Marconsin (Neoliberalismo na UERJ)
Mediador: Pedro Araujo- CAPF

DIA 3/5
MESA: Analfabetismo: Instrumento de Dominação
LOCAL:Auditório 71
HORÁRIO: 9 h
Prof.Luis Mergulhão (alfabetização em Cuba)
Profª. Socorro Calhau ( EJA-UERJ)
Mediadora: Solluamar Mota (CAPF)

MESA: Educação Popular
LOCAL: Auditório 71
HORÁRIO:19H
“Tia” Angélica – Escola Leonardo Boff (Petrópolis)
Mediador: Vinicius Pereira -CAPF

DIA 4/5
MESA: ARTE, CULTURA E EDUCAÇÃO –
LOCAL:Auditório 71
HORÁRIO: 9 h
Prof. Gustavo Coelho ( Educação Estética -Faculdade de Educação-UERJ)
Prof. Aldo Victorio (Instituto de Artes – UERJ)
Profª. Lia Faria (Animadores Culturais- Faculdade de Educação -UERJ)
Mediadora: Jaspe Mattos – CAPF

MESA: ESPAÇO ESCOLAR E AUTONOMIA
LOCAL:Auditório 71
HORÁRIO:19H
Prof. José Pacheco – ESCOLA DA PONTE
Prof. Rogério Cunha de Castro – EDUCAÇÃO ANARQUISTA
Mediadora:Bárbara Gonçalves-CAPF

DIA 5/5
MESA:Movimento Estudantil e a Luta pela Educação
LOCAL:Auditório 71
HORÁRIO: 9 h
Mariana do Reis Santos
Mediador:Alan Medeiros (CAPF)

MESA: Drogas, Tráfico, Crime, Pobreza e Educação
LOCAL:Auditório 71
HORÁRIO:19H
Prof.ªMaria Clara de A Barbosa
MC Leonardo

Mediador :Eduardo Andrade (CAPF)

DIA 6/5
MESA:Ideologia, Mídia e Educação
LOCAL:Auditório 71
HORÁRIO: 9 h
Prof.ªRita Ribes
Mediadora:Andréa Neves